Publicações arquivadas sob No cordel
(Baseado da fotonovela original de Mary Lee na revista Sétimo Céu, nº146, de maio de 1968).
Uma cidade pequena,
de beleza, uma aquarela,
foi cenário de um romance
entre um jovem e uma donzela
e coloriu de amor
a sua Cordel Novela.
São Pedro de Aldeia é
a cidade que falei,
de natureza frondosa,
e mais detalhes darei.
E é lá que a menina Dulce
dissera ao padre: _pequei…
Padre Geraldo é um homem
cordial e respeitado,
e numa tarde de sol,
na igreja ele sentado
ouvia de uma ovelha
o que era confessado.
Nesse momento aproxima-se,
assustado, o sacristão,
chamando padre Geraldo,
pois o espera no saguão
D. Mariana que
parece ter aflição.
Leia o cordel na seção CORDEL deste blog
18 de Maio de 2009 às 14:56
J. Victtor
RUSSO
_Camarada, posso usar
seu banheiro, um minuto?
Porque o meu desse lado
já ficou meio impoluto
e somente isso basta
para eu invadir seu reduto.
AMERICANO
_Veja bem, seu comunista,
que divide tudo ao meio:
essa nave é apertada,
por isso tenho receio
da sua dor de barriga
causar um estrago feio.
RUSSO
_Embora nossas ogivas
possantes e nucleares
estejam armazenadas
nos mais diversos lugares,
garanto que o seu banheiro
não vai voar pelos ares.
AMERICANO
_Mas é minha estratégia
com você ter precaução;
não sei o que você come,
nem sua situação,
pois danificando o vaso
pode haver grande explosão.
RUSSO
_Por enquanto estou pedindo
gentilmente, cosmonauta;
pois haverá vazamento
de gás metano na pauta
se você não liberar
para o amigo astronauta.
AMERICANO
_Foi você quem construiu
todo o Muro de Berlim
dizendo: Pra lá não passa,
não freqüenta botequim,
e agora chega pedindo
pra visitar meu jardim.
RUSSO
_Camarada, o planeta
já ficou muito distante.
Nem me fale em guerra fria
que a dor aumenta bastante;
eu só quero o Green Card
por apenas um instante.
AMERICANO
_Ainda bem que você
não é dos piores não;
dê só um pequeno passo
para mudar de nação
e saiba que todo russo
neste solo é espião.
RUSSO
_Obrigado, americano.
Já estou do outro lado
respirando agora os ares
de um país mais avançado.
Com licença, vou sentar-me
de modo civilizado.
ATENÇÃO, HOUSTON FALANDO!!!
A situação é grave.
Detectamos odor
que não é nada suave.
Tranquem tudo e dêem o fora
que vai explodir a nave.
7 de Abril de 2009 às 09:48
J. Victtor
Serão seis rodas de cantoria e seis encontros com poetas de cordel, na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a partir de junho. Os dias, os artistas e maiores detalhes ainda serão divulgados no site da instituição. E aqui também.
22 de Março de 2009 às 19:34
J. Victtor
O autor me indagou: “Não tenho idéia do que você vai fazer. Como pode a história do papel ser representada numa capa?”
Paulinha me disse: “Faça pipas.”
Pensando bem, pipas são de papel, voam e são frágeis como ele. Mandam recados, avisam e divertem.
13 de Março de 2009 às 19:46
J. Victtor
Talvez esteja sério demais. Já li que não ria, e nos filmes é sempre sereno. Faria mil xilos de Jesus se tivesse tempo, mas faria muito mais se pudesse conhece-lo.
2 de Março de 2009 às 11:02
J. Victtor
Capa para o cordel sobre a arte de Zemog. É meu vizinho, mas não o conhecia pessoalmente, apenas seu trabalho. Faz das coisas mais simples do dia a dia verdadeiras esculturas. Em seu atelier vemos um amontoado de bacias que vai até o teto, todas com espelhos dentro. Vassouras agrupadas formam escultura num outro canto. Potes com filipetas de jogo do bicho, quadros com fitas do Senhor do Bonfim, colares de chapinhas de refrigerantes, e por aí vai.
Coube a Gonçalo Ferreira da Silva o cordelista escolhido para fazer um folheto sobre sua arte. Ótima escolha.
28 de Fevereiro de 2009 às 10:31
J. Victtor
Menino pobre, mas de tradicional família do Crato, parente do ex-senador e ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Wilson Gonçalves, Walderedo Gonçalves foi um autodidata que se tornou conhecido em todo o Brasil e no exterior graças a sua arte e inteligência. Filho de um carpinteiro e uma artesã, Walderedo dizia que nunca teve infância. Trabalhou desde menino, ajudando o pai e a mãe. Na escola, foi discriminado e expulso porque desenhou uma mulher nua. Saiu da escola para vender jogo do bicho, uma atividade clandestina. Mesmo assim, não perdeu o gosto pelos estudos. Revoltado com a expulsão, Walderedo estudou sem ajuda de professores. Leu os clássicos da literatura portuguesa. Seu sonho era ser inventor. Mas faltaram recursos, conforme lamentava.
Trabalhou como “guarda da peste”, quando teve oportunidade de percorrer “meio mundo” nos Estados do Ceará e Piauí. Walderedo lembra que, enquanto trabalhava, lia romances e cordéis. Tinha uma coleção de cordéis que ele costumava ler para os “matutos de Interior” que, segundo afirmava, gostavam muito desse tipo de literatura. Com isso, ele conseguiu hospedagem grátis.
O casamento com 20 anos de idade o obrigou a trabalhar numa tipografia. Uma de suas especialidades era fazer xilogravura em madeira para os jornais, em substituição aos clichês de zinco. Durante muito tempo foi o único xilógrafo da região. Ilustrou inúmeros cordéis, revistas e jornais . A arte, entretanto, o levou a prisão, sob suspeita de ter colaborado, com sua habilidade, para uma ação ilícita. Em entrevista ao professor Jurandy Timóteo, Walderedo disse, com mágoa, que foi seqüestrado pela Polícia Federal.
“Foi uma vida marcada por sofrimento e alegrias”, disse Walderedo, acrescentando que o seu valor artística só foi reconhecido depois de velho, quando o governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, o indicou como Mestre da Cultura Popular. O jornalista Huberto Cabral lembra que Walderedo não aceitou um convite feito pelo ex-reitor Antônio Martins Filho para participação de uma exposição de xilogravuras na França.
Irreverente, boêmio mas, sobretudo, inteligente, ele era também um abridor de cofres de segurança. Certa vez, foi convidado para abrir um cofre de um rico comerciante de Juazeiro. Abriu o cofre em menos de um minuto. Ao cobrar uma determinada quantia, o comerciante achou que era uma exploração para um trabalho tão rápido. Walderedo não mediu conversa, fechou o cofre e voltou para o Crato, sem ensinar o segredo. O proprietário teve que arrombar o cofre.
Na entrevista a Jurandy Timóteo, Walderedo confessou que sua história de vida é de um homem comum. “Eu vivo por viver. Pra mim, tanto faz viver como morrer, tudo é a mesma coisa. Já vivi muito e já fiz de tudo”, disse resignado.
Fonte: Diário do Nordeste
2 de Fevereiro de 2009 às 11:05
J. Victtor
No mundo do cordel fala-se muito mais em Leandro Gomes de Barros, João Martins de Atayde ou Rodolfo Coelho Cavalcante do que em Patativa do Assaré. Acho que pelo fato dele ser mais novo que os dois primeiros e de seus inúmeros cordéis terem sido publicados em livro, e poucos em folhetos, dizem que só treze. Mas são primorosos.
Entretanto, para o público em geral, Patativa é com certeza o primeiro nome a ser falado quando se pensa em cordel.
Para a capa desse cordel de Gonçalo, fiz o desenho na famosa caneta Futura, imitando o jeitão de uma xilo.
30 de Janeiro de 2009 às 15:09
J. Victtor
Ex-Padim Ciço, eu queria
(já que não lhe vi no Céu),
através da poesia
populista de cordel,
enxergar o que eu não via:
o “milagre” do chapéu,
e outras mentiras suas,
e boatos de romeiro,
lá de Crato e Juazeiro,
nas casas, praças e ruas…
Essa estrofe pertence ao cordel Duelo de Padim Ciço com o Papa, de Raimundo Santa Helena. Pra mim, um dos maiores cordelistas que já li. Note que o tipo de décima é um pouco diferente das convencionais, não existindo sequer um verso órfão, todos rimam.
23 de Janeiro de 2009 às 17:40
J. Victtor
O primeiro é Maestro Cascudo, de Gonçalo Ferreira e vertido para o Espanhol. Ao lado, Oswaldo Cruz, do mesmo autor. Embaixo à esquerda a história de Vasco da Gama no descobrimento das Índias, escrito por mim, e por último A Evolução do Homem, também do Gonçalo.
Deste último cordel vou deixar aqui só a primeira estrofe:
Lançando um olhar profundo
da Terra ao materno seio
pulsa a vida celular
num ambiente tão feio
que o homem sente repulsa
do ambiente que veio.
Brincando com poeta, disse que não precisaria ler o restante do cordel. Só essa estrofe já vale o preço do cordel, o resto vem de graça.
22 de Janeiro de 2009 às 14:05
J. Victtor
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