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Adicionar comentário 3 de Novembro de 2008 às 19:35 J. Victtor

No prelo

A história do navegador VASCO DA GAMA
no descobrimento das Índias.

(J. Victtor)

capa vasco - capa vasco

Descrever uma epopéia
De dimensões colossais
É um desafio tamanho
Porém distante demais
Daqueles que conquistaram
Um outro mundo e voltaram
Aos aposentos reais.

Ao homem basta uma luz
Ou centelha de ambição
Que sua mente procura
A mais longínqua equação
Dando às células nervosas
Condições vertiginosas
De encontrar a solução.

Durante o século XV
Beirando o ano setenta
Uma criancinha em Sines
Da mãe rompeu a placenta
E vindo predestinada
Tem sua história narrada
No cordel que se apresenta.

Os mares de antigamente
Nas águas ocidentais
Ainda eram nebulosos
Pois não haviam sinais
De onde eles começavam
Ou se mesmo terminavam
Para as pretensões navais.

Ocorre que esse período
Da nossa era cristã
Era intenso o comércio
De canela, cravo e lã
E produtos que os mercados
Vendiam valorizados
Como um real talismã.

É só voltar ao passado
Na sua imaginação
E constatar que o mar
Daria grande vazão
Para um acesso direto
Sem imposto, taxa ou veto
A qualquer jurisdição.

Portanto os navegadores
Foram homens importantes
De inigualáveis bravuras
Em terras muito distantes
E até hoje, contemplados
Os seus feitos são contados
Nos livros dos estudantes.

Às Índias, D. João II
Deu início à jornada
Mas não viveu para que
A visse realizada
Cabendo ao seu sucessor
D. Manuel, todo o louvor
Daquela imensa empreitada.

O monarca procurou
Tão logo seu almirante
E elegeu Paulo da Gama
Este porém, ao reinante
Disse: _Vossa majestade
Minha saúde na verdade
Não é a de um comandante.

_Mas venho à Vossa Excelência
dar a humilde indicação
que sem receio contrate
meu nobre e adorado irmão
e mostre a Vasco da Gama
o grandioso programa
da ambiciosa missão.

No ano noventa e sete
Partiram então decididos
No dia oito de julho
Velas em brancos tecidos
Bérrio e São Gabriel
São Miguel e São Rafael
Em vivas e estampidos.

Saindo de Portugal
Gama inverteu bem a rota
Direcionando-a ao oeste
Foi navegando com a frota
Seguindo Bartolomeu
Que muito bem descreveu
Em uma pequena nota.

Esta manobra importante
Tirou-o das calmarias
Do mar da costa africana
E suas periferias
Ganhando tempo importante
Para então seguir adiante
Ainda por muitos dias.

Contornou o oceano
Pelo Cabo Tenebroso
Enfrentando as correntes
E aquele mar revoltoso
Deixando seu galeão
Já bem perto da missão
Ao país esplendoroso.

Partilhou a alegria
E também sua confiança
Com todos os tripulantes
Agora com mais bonança
Por dar a volta no cabo
Que fora designado
Cabo da Boa Esperança.

Porém na sua jornada
Direto ao descobrimento
Enfrentou de peito aberto
O perigo em detrimento
Da sua própria pessoa
Para levar à Coroa
Das Índias, o encantamento.

Foi um mestre comandando
Aqueles quatro navios
Montando sua estratégia
Também navegando em rios
Domando aquele oceano
Ao longo de quase um ano
Por atalhos e desvios.

Ao longo do litoral
Do continente africano
Em diversas emboscadas
Contra aquele soberano
Soube manter a frieza
E a incomparável destreza
De um capitão lusitano.

Na perigosa viagem
Alguns dos seus marinheiros
Ao aportarem em terra
Perceberam entre os coqueiros
Disfarçados inimigos
Que fingiam ser amigos
Mas escondiam guerreiros.

A naveta São Miguel
Ao ficar danificada
perdeu a finalidade
e portanto, incendiada
não deu chances aos corsários
nem outros adversários
de aproveita-la pra nada.

Sua passagem em locais
Como Zambeze e Mombaça
E ilha de Moçambique
Cheirava muito a desgraça
Porque várias emboscadas
Foram muito bem armadas
Mas rechaçadas na raça.

Na chegada em Melinde
Na costa leste africana
O sultão ofereceu
À embarcação lusitana
Um piloto experiente
Para que dali pra frente
Chegasse à costa indiana.

As Índias Orientais
Podiam oferecer
Uma multiplicidade
De culturas e saber
Línguas e religiões
Com várias conexões
Para se estabelecer.

Uma de suas missões
Aquele extremo oriente
Era passar na Etiópia
E ver se o correspondente
Da sua religião
Reino de Prestes João
Estava mesmo presente.

Ao entrar naquele novo
E inigualável oceano
Estava Vasco da Gama
Já bem perto de um ano
De completar a viagem
E levar sua mensagem
Ao Samorim indiano.

Terminando o século XV
Num dia vinte de maio
No ano noventa e oito
Perceberam de soslaio
Que era o dia da chegada
Àquela terra sagrada
Ao ver um navio malaio.

Finalmente encontrou
Nas Índias o seu destino
Aquele navegador
De imponente figurino
Que ao entrar para a história
Obteve a maior glória
De um comandante latino.

A descoberta das Índias
Até hoje perpetua
E podemos compará-la
Com a conquista da lua
Num marco definitivo
E muito bem conclusivo
Que o próprio tempo acentua.

Embora Vasco da Gama
Não fosse bem recebido
Estabeleceu contatos
Num tempo bem reduzido
Usando a diplomacia
Com muita sabedoria
Enquanto ficou retido.

Pôde assim observar
A forte presença humana
De outras religiões
E mormente a muçulmana
Sabendo que a concorrência
Em toda sua abrangência
Não era só indiana.

Na viagem de regresso
O barco São Rafael
Do irmão Paulo da Gama
Adernou, e São Gabriel
Acolheu os marinheiros
E os demais caraveleiros
No Bérrio, o outro batel.

Vasco da Gama teria
A mais intensa aflição
Porque o destino não quis
Que o seu adorado irmão
Contemplasse a mesma sorte
E no seu leito de morte
Deixou triste o capitão.

Teve a honra de trocar
A chegada triunfal
Por uma escala em Açores
Já perto de Portugal
Apenas para enterrar
Seu irmão e retornar
À base na capital.

Deu conta dos resultados
E das técnicas navais
Dos novos procedimentos
E costumes regionais
Que jamais conheceriam
Mas agora usariam
Para os fins comerciais.

Vasco da Gama ganhou
Dinheiro, pompa e nobreza
E tornou-se o Almirante
Das Índias e a realeza
Deu aquele capitão
Uma notória pensão
Por sua imensa proeza.

Um precioso diário
De bordo foi encontrado
Com alguns minuciosos
Detalhes do grande achado
Parecendo um evangelho
Que o autor Álvaro Velho
Deixou ali anotado.

Sugeriu ao navegante
Pero Alvarez Cabral
Que muito antes das Índias
Navegasse em diagonal
Porque no caminho oposto
Ele sentiria o gosto
De ver o Monte Pascoal.

O Almirante da Índias
Retornou ao oriente
Mas com precaução tamanha
E mais que suficiente
O fez muito bem armado
Para não ser emboscado
Levando mais contingente.

Esta segunda jornada
Do mundo chama a atenção
De reis e comerciantes
E governantes de então
Porque a nível global
Trouxe para Portugal
A solidificação.

A figura desse homem
Tornou-se uma referência
Para a História mundial
Porque teve transcendência
Do humano pioneirismo
Ao internacionalismo
Em perfeita convergência.

Moçambique e Calecute
E na Ásia o Ceilão
Constituíam agora
Uma extensa dimensão
Formando assim o triângulo
Que era visto pelo ângulo
Matemático da ambição.

Retornou pela terceira
E última vez assim
Às Índias, porém morreu
Na cidade de Cochin
Em mil quinhentos e vinte
E quatro e com o requinte
De ser no Natal seu fim.

FIM

Adicionar comentário 1 de Novembro de 2008 às 22:21 J. Victtor

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