Arquivo de Agosto de 2008

Coleção Pragas Brasileiras - PREVIDÊNCIA

O Brasil tem várias pragas
Mas não toma providência
Porque no país não há
A mínima consciência
De que os mais velhos precisam
De uma boa previdência.

O cidadão desde cedo
Trabalha incansavelmente
E contribui todo mês
Pagando honestamente
Já pensando que o futuro
Seja um pouco mais decente.

Mas a previdência não
Faz sua parte direito
Porque sua estrutura
Foi pensada com defeito
E por isso que o serviço
É todo ele mal feito.

Depois de toda uma vida
Trabalhando no pesado
Você será brutalmente
Um cidadão humilhado
Esperando por papéis
Para ser legalizado.

Durante anos e anos
Sentado, pode esperar
O benefício que não
Tem hora para chegar
Sendo muito sofrimento
Na hora de aposentar.

A previdência também
Sofre com a corrupção
Pois as quadrilhas agindo
Formam a conexão
Com insanos funcionários
Que na previdência estão.

Também não posso esquecer
Suas filas quilométricas
Que viram os quarteirões
Das formas mais assimétricas
Com pessoas se esmagando
Nas situações mais tétricas.

Já vi idosos nervosos
Dando ataque e cuspindo
Também sendo maltratados
Por um servidor que rindo
Não sabe dizer: Senhor,
Ao entrar seja bem-vindo.

Porém, meu caro leitor
Não me deixe ser injusto
Hoje está muito melhor
Já levei até um susto
Precisando, uma vez
Me atendeu um belo busto.

Por traz de um vidro lustroso
Uma moça educada
Em cadeiras confortáveis
E com senha na entrada
Explicou-me direitinho
De forma disciplinada.

Mas voltando ao local
Apenas um mês depois
O que antes era três
Agora, apenas dois
Pois estavam colocando
Os carros antes dos bois.

Reze uma Ave-Maria
De uma forma decente
E peça a Deus proteção
Concentrando a sua mente
E arrume um pé de arruda
Para não ficar doente.

Porque se for internado
Num dia de pouca sorte
É o mesmo que entrar na fila
E tirar o passaporte
Para a terra do São Nunca
Num caixão como transporte.

E o pobre do cidadão
que ficar sem o emprego
por muito tempo não vai
ter um pingo de sossego
recebendo, já idoso
um presentinho de grego.

As vezes também inventam
O tal recadastramento
E os idosos sem poder
Fazem o deslocamento
Em macas ou em cadeiras
De rodas com sofrimento.

É muito triste a Pátria
Amada nos dar as costas
Porque por ela fizemos
Na vida nossas apostas
Cumprindo com lealdade
As obrigações impostas.

FIM

J. Victtor

Adicionar comentário 12 de Agosto de 2008 às 18:31 J. Victtor

Manual de como se endireitar o mundo

MCS1 1 - MCS1 1
MCS2 3 1 - MCS2 3 1
MCS4 5 1 - MCS4 5 1
MCS6 7 1 - MCS6 7 1
MCS7 8 1 - MCS7 8 1
Untitled 10 1 - Untitled 10 1
Untitled 12 1 - Untitled 12 1
Untitled 14 1 - Untitled 14 1
Untitled 16 1 - Untitled 16 1

Fonte: www.museudofolclore.com.br

Adicionar comentário 7 de Agosto de 2008 às 20:56 J. Victtor

Contracapa

Algumas preciosidades são encontradas nos versos de folhetos antigos, como este de Manoel Camilo dos Santos.

verso1 - verso1

O poeta Manoel Camilo dos Santos escreveu e publicou a sua autobiografia, em prosa e verso, constituindo-se a principal referência para qualquer pesquisador que pretende escrever sobre o poeta. Camilo nasceu no dia 9 de junho de 1905, em Guarabira-PB, filho de Antônio Camilo Pereira e Maria Tomás dos Santos.

Viveu da agricultura até os 18 anos de idade, dedicando-se em seguida ao comércio ambulante com uma tropa de burros de seu pai. Casou-se com 24 anos e passou a morar em João Pessoa, onde adotou a profissão de cantador de viola, na qual permaneceu até 1940. No início da década de 40 escreveu seus primeiros folhetos e estabeleceu-se com uma pequena tipografia em Guarabira, no ano de 1942. Transferiu-se em seguida para Campina Grande-PB, onde montou a folheteria “Estrella da Poesia”, mas também atuou como poeta e editor em Natal-RN. Em fins de 1975, Camilo estimava haver escrito mais de 150 obras (de 8 a 40 páginas), o que dá uma média de 18 mil estrofes.

É autor de um dos maiores clássicos da literatura de cordel, o utópico poema “Viagem a São Saruê”, onde denota alguma influência do mestre Leandro Gomes de Barros, autor de “Uma Viagem ao Céu”, onde encontra-se visível similaridade com o poema de Manoel Camilo. Além da sua obra, constante de mais de 150 títulos, Camilo editou grandes poetas como João Melchíades Ferreira, de quem adquiriu toda a propriedade literária após o seu falecimento. Lançou também outros autores como Manoel Pereira Sobrinho, Cícero Vieira (Mocó) e Manoel Monteiro. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de abril de 1987. O general Umberto Peregrino, seu amigo e admirador, criou no Rio a “Casa de São Saruê”, hoje sob a guarda da Academia Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC, que tem à frente o poeta Gonçalo Ferreira.

manoel camilo   foto - manoel camilo   foto

Leia cordéis de Manoel Camilo no site www.museudofolclore.com.br em ACERVOS DIGITAIS / CORDELTECA. Instale o plugin pedido.

Adicionar comentário 4 de Agosto de 2008 às 09:18 J. Victtor

Posse de Crispiniano Neto na ABLC

Um dos convidados, de barba, roubou a cena no auditório da Ação e Cidadania: o presidente. Da ABLC não, o do Brasil. Após todo aquele cerimonial que, diga-se de passagem, não foi chato, Lula caiu nos braços da galera. Abraços, câmeras, flashes, seguranças, e gritos eram fartura no episódio e eu, que nunca tinha estado perto do “companheiro”, me rendi à sua simplicidade.

crispim1 - crispim1
Esse é Crispiniano Neto fazendo seu discurso de posse.

crispim2 - crispim2
Lampião, quer dizer, Marabá, da Feira de São Cristóvão e Paulinha, da ABLC.

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O poeta Azulão olha atentamente Miguel Bezerra.

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Luz, câmera, ação.

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Mena, esposa do presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira, emocionada, entrega a Lula o diploma de Acadêmico de Honra.

crispim6 - crispim6
Quando Lula desceu do palanque, deu nisso.

crispim7 - crispim7
Paulinha, da ABLC, esperando por um abraço. Ao fundo, o dono da festa, Crispiniano.

crispim8 - crispim8
Abraço em um acadêmico da ABLC.

Para mais informações sem tietagens, acesse http://www.ablc.com.br

Adicionar comentário 2 de Agosto de 2008 às 18:16 J. Victtor

SONDA CONFIRMA PRESENÇA DE AGUARDENTE EM MARTE

Amigos da Terra é
Para Marte que eu vou
Porque lá, a nave Phoenix
Bem perto sobrevoou
E descobriu aguardente
Que ninguém inda tomou.

A nave pegou amostras
Por meio de instrumentos
Identificando gases
E os seus refinamentos
Mas encontrou foi cachaça
Sem acondicionamentos.

Analisou direitinho
Composições alcalinas
Que espalhadas no solo
Perto de outras resinas
E chegou a conclusão
Que a cachaça era de Minas.

Com o seu braço robótico
Tomou um gole incrível
E feliz rodopiou
Todo aquele dirigível
Pois sabia que não ia
Mais lhe faltar combustível.

“Nós temos água”, afirma
o cientista contente
que pela primeira vez
disse para sua gente
mas só a sonda sabia
que era uma aguardente.

A sonda explorava o solo
De forma demasiada
Intrigando os cientistas
E seguindo sua jornada
Porém a nave estava
Na cachaça viciada.

O cientista falou:
_Meu robô, inteligente
o que você encontrou
não é água, é aguardente
porque já podemos ver
que a química é diferente.

_Afaste-se do local
e tenha conduta bacana
procurando com atenção
se tem algum pé de cana
mas se tiver meio tonta
deite e tire uma pestana.

A equipe aqui na Terra
Ficou muito preocupada
Porque aquela cachaça
Não estava programada
Para ser absorvida
De uma forma exagerada.

O robô que tinha entrado
Numa pane consistente
Acordou numa ressaca
Que afetou um componente
Pois ele nem se lembrava
Daquela tal aguardente

Olhando então para o alto
Viu a Terra, e não a lua
Perguntando ao cientista
_Amigo, qual é a sua?
Que lugar é este aqui
Que não tem carro nem rua?

Os cientistas disseram
Minha nave, volte já
Cuidado com esse planeta
Bem onde você está
Porque você já ficou
Mais pra lá do que pra cá.

A nave passou a mão
E encheu o reservatório
Do tal novo combustível
Já fazendo um relatório
Pois sabia que chegando
Teria interrogatório.

O foguete disparou
E alcançou altitude
Sabendo que a descoberta
De grande magnitude
Era um novo elixir
De mais vida e mais saúde.

E pousando em nosso solo
Foi prontamente saudada
Recebendo um troféu
Foi muito fotografada
Mas pediu breve licença
E deu nova talagada.

Com o feliz resultado
Estenderam a missão
Até 30 de setembro
Já que se tem previsão
De achar mais aguardente
Numa outra exploração.

Por isso digo a todos
Com certeza verdadeira
Se na lua tem fincada
Até hoje uma bandeira
Em Marte, com a cachaça
A bandeira é brasileira.

FIM
(J. Victtor)

Adicionar comentário 1 de Agosto de 2008 às 09:54 J. Victtor

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