Arquivo de 29 de Agosto de 2008

Coleção Pragas Brasileiras - POLÍTICO

A Grécia, na antiguidade
Criou a democracia
Um pensamento avançado
De grande sabedoria
Que hoje está deturpada
Em sua filosofia.

O homem de vida pública
É o nosso representante
E este seu cargo exige
Honestidade e durante
O seu mandato ele tem
Uma missão importante.

Porém amigo, cuidado
Com político indecente
Escolha bem o seu voto
E seja muito prudente
Porque escolher errado
Prejudica muita gente.

Tenha certeza que o tal
Quando entra para o ofício
Não é para lhe ajudar
Nem lhe trazer benefício
Mas porque em oito anos
O salário é vitalício.

Quando a verba é destinada
A um pobre hospital
Aparece o cafajeste
Para praticar o mal
Desviando o dinheiro
De forma descomunal.

Hoje temos CPIs
Trafegando no Senado
Em grandioso teatro
Direto, tudo filmado
Mas não há nenhum inquérito
Que não seja arquivado.

Se gritar pega ladrão
Sai todo mundo correndo
Brasília fica deserta
E ninguém fica sabendo
Porque fugiram os ladrões
Que nela estavam vivendo.

Essa praga é pior
Que dengue, tifo e malária
Tuberculose e tumor,
E também gripe aviária
Decretando ao brasileiro
Dor de cabeça diária.

Quando precisam da gente
Nas praças, ruas e feiras
Abraçam-nos com carinho
Com promessas verdadeiras
Mas depois que são eleitos
Iniciam as roubalheiras.

De onde vem o dinheiro
Para tanta propaganda
Que deixa nossa cidade
Parecendo uma quitanda
Com sorrisos engessados
E apologia nefanda?

Juntos, marido e mulher
Em formação de quadrilha
Fraudam a nossa cidade
Para uma gorda partilha
Com Cardeal e Madame
E Príncipe na matilha.

A igreja Universal
Serve para arrebanhar
Os fiéis desavisados
Que indo para rezar
São convencidos por um
Desonesto maxilar.

Um pobre faminto rouba
Um pão e é logo julgado
Mas político ladrão
Não conhece cadeado
Pois a lei diz que ele tem
Foro privilegiado.

Também é repugnante
Seu Português incorreto
E a falta de carinho
Com o nosso alfabeto
Maltratado em demasia
Por um grande analfabeto.

E a praga, não contente
Espalha seus filhotinhos
Com os mesmos sobrenomes
Dos antigos ladrõezinhos
E hoje esta geração
Já chegou até os netinhos.

Afirmo que um por cento
São os que honram a bandeira
Pois o resto não se importa
Em se atolar na sujeira
Passando o atestado de
Pior praga brasileira.

Há ainda o infeliz
Que não sai de candidato
Já que os votos não o elegem
E ele não mais novato
Candidata-se toda vez
Com um novo aparato.

FIM
(J. Victtor)

Adicionar comentário 29 de Agosto de 2008 às 11:20 J. Victtor

Coleção Pragas Brasileiras - TELEMARKETING

O telefone foi uma
Das maiores invenções
Criada por uma grande
Centelha e após gerações
É o enorme marco das
Telecomunicações.

Porém esta invenção
De enormes benefícios
Já trouxe aos seres humanos
Alguns cruéis sacrifícios
E cabendo ao telemarketing
Da culpa, fortes indícios.

É uma praga insistente
Que não se encontra vacina
Com técnica elaborada
Nos ramos medicina
Transformando nosso humor
Numa nitroglicerina.

Oferecendo vantagens
E os mais diversos produtos
Em conversa decorada
E pensamentos argutos
Da nossa vida eles tomam
Inestimáveis minutos.

O camarada treinado
do outro lado do aparelho
vai criteriosamente
dando prudente conselho
mas sua finalidade
é te deixar no vermelho.

No seu telefone fixo
Ou mesmo no celular
Essa praga não dá tréguas
para a gente respirar
e também interrompe as horas
que são para namorar

O operador que liga
sabe seu nome completo
também sabe o endereço
de vantagens vem repleto
e diz: _Bom dia, senhor
o meu nome é Anacleto.

A partir deste momento
Você não tem mais descanso
O rapaz é bem treinado
E eu mesmo não alcanço
Onde sua língua encontra
Numa prosa tanto avanço.

Ao querer solucionar
Uma pendência ou problema
Você consulta a empresa
Vai contando o seu dilema
Mas somente ouvirá:
_O problema é do sistema.

Tente um dia cancelar
Os seus produtos comprados
Lhe dirão: _Por gentileza
Precisamos dos seus dados
Para sua segurança
Terão que ser anotados.

_Pode dizer por favor
CPF e identidade
E também o endereço
E qual é a sua cidade
Para o sistema poder
Confirmar a validade.

_Senhor, aguarde na linha
Pode esperar um momento.
A ligação então cai
Aumentando o sofrimento
Mas é só ligar de novo
Para o mesmo tratamento.

Eu não sei se o sistema
É o maior acionista
Mas tudo passa por ele
Que avalia na lista
Carimbando e devolvendo
Tudo à recepcionista.

Depois de três horas vem
O gerente do produto
Dizendo: _Caro senhor
Espere mais um minuto
Mas eu de tanto esperar
Deixei meus filhos de luto.

O telefone ao tocar
Me passa desconfiança
E atendendo com raiva
Me vem tudo na lembrança
Porque sendo telemarketing
Vou preparar a vingança.

Atendendo, imito gato
Mudo a voz e fico rouco
Depois mulher e galinha
E de tudo imito um pouco
Mas a verdade é que eles
Já me transformaram em louco.

FIM
(J. Victtor)

1 comentário às 09:21 J. Victtor


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