Arquivo de 28 de Agosto de 2008

Coleção Pragas Brasileiras – BALA PERDIDA

Nosso Brasil apresenta
Com um toque de nobreza
A nova modalidade
Contra a pessoa indefesa
Perseguindo o cidadão
E cobrindo-o de incerteza.

Na minha infância não tinha
E nem nunca ouvi falar
Dessa tal bala perdida
Que não é para chupar
Já que vem desembalada
E pronta para matar.

É uma inimiga invisível
Que traça rasgando o céu
Disparada de um fuzil
Cuspida de um fogaréu
Que sentencia a todos
Como um carrasco cruel.

Você pode se esconder
Mas ela há de te achar
Na saída do Metrô
Ou na entrada de um bar
Viajando enganada
Para um errado lugar.

Enquanto fazemos compras
E as tarefas diárias
Elas cruzam os ambientes
Como cruéis mandatárias
Do atestado de óbito
Com suas mortes sumárias.

Os tiroteios freqüentes
Entre polícia e bandido
São a fonte costumeira
Da origem do perigo
Que velozmente aproxima
Nossa vida do perigo.

A violência de hoje
Que assola as cidades
Lança mais essa desgraça
E mais outras crueldades
Atingindo as duas classes
De ambas extremidades.

Na favela ou no asfalto
No Borel ou Ipanema
O brasileiro agora
Vive esse novo dilema
Que infelizmente é
Desse cordel o meu tema.

O contrabando de armas
Chega na mão da milícia
Também chega ao traficante
Que usa sua malícia
Tudo passando pertinho
Bem no nariz da polícia.

Existem várias famílias
Que perderam seus parentes
Atingidas pelas balas
Das formas mais diferentes
E outras que não morreram
Ficaram deficientes.

Hoje temos passeatas
Para conscientização
Dos perigos enfrentados
Por esta situação
Mas fico desconfiado
Que não adianta não.

Esta bala assassina
Não revela o autor
Pois é cega, surda e muda
Escondendo o malfeitor
Mas nunca vem da polícia
Somente traz o rumor.

Trouxeram os tempos modernos
Essa triste novidade
Que é a mistura de
Miséria com crueldade
E o esquecimento total
Do que é fraternidade.

A polícia sem preparo
Causa ao nosso cidadão
Uma mistura de medo
Com enorme aflição
Pois não sabe contornar
A mais fácil confusão.

A cada bala perdida
Que achar um infeliz
Ou mesmo num leve toque
De raspão ou por um triz
A culpa é do governo
Porque ele é a matriz.

Os filmes de faroeste
São nossa vida real
E nós somos os artistas
Que na conduta leal
Achamos sempre no fim
Uma bala desleal.

FIM
(J. Victtor)

Adicionar comentário 28 de Agosto de 2008 às 19:47 J. Victtor


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