Coleção Pragas Brasileiras - CAMELÔ
22 de Agosto de 2008 às 10:49 J. Victtor | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 605
_Duas pilha um Real
Três caneta por cinqüenta
Centavos. Olha o CD
Senhora, fique atenta
Porque o seu pó compacto
Não chega nem a noventa!
Desça do seu escritório
E passeie na cidade
Que você encontrará
Terrível calamidade
Sendo esta uma cruel
E dura realidade.
Talvez você não consiga
Passear pela calçada
Porque sua obstrução
Estará bem reforçada
Com mais de mil camelôs
De uma forma escancarada.
Parecendo feira livre
Ao longo das avenidas
As pessoas que passarem
Precisam estar prevenidas
Pois aquela confusão
Tem coisas desconhecidas.
O falatório é grande
Sem nenhuma educação
Gritando no nosso ouvido
Com enorme vozeirão
Tomando conta da rua
Sem mera preocupação.
E a guarda municipal
Fica num papo furado
Um olhando para o outro
Arrumando o penteado
Só faltando a cervejinha
E um tira-gosto picado.
E essas mercadorias
São quase todas roubadas
Nas estradas e depósitos
Ou então falsificadas
Ou vindas do Paraguai
Como contrabandeadas.
As cidades têm prefeitos
Que preferem a omissão
E nem um pouco se importam
Com o correto cidadão
Convivendo com a nefasta
E pobre organização.
Quando tomam providência
É de forma exagerada
Tem corre-corre nas ruas
Tem tiro e também porrada
Mostrando a incompetência
De atitude impensada.
A Polícia Militar
Diz que não pode prender
Porque não é responsável
Podendo assim responder
Por uma ação indevida
Ou abuso de poder.
O jogo de empurra-empurra
Chega ao governador
Que joga para o prefeito
Que diz ao vereador:
_Segure essa, amigo
e pague aquele favor.
Ninguém toma providência
Mas a vida continua
E a baderna vai seguindo
Espalhando-se pela rua
Fingindo que não existe
Uma bela falcatrua.
Ainda diz a bandeira
Aqui tem Ordem e Progresso
Mas o que eu vejo latente
É um poderoso regresso
Não condizendo com aquilo
Que na bandeira é impresso.
Aqui no nosso Brasil
Existe um grande problema
Que é uma teia de aranha
Armada num bom esquema
Que parece mais o canto
Azarado de uma ema.
E no entanto, leitor
Não podemos colocar
A culpa no camelô
Que precisa trabalhar
Porque ele nunca teve
Condição de estudar.
Por isso faço um apelo
Ao governo do Brasil
Não tornemos o país
Um território hostil
Porque não quero rimar
O território e o mar
Com a ponte que caiu.
FIM
(J. Victtor)
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