Arquivo de 16 de Agosto de 2008

Coleção Pragas Brasileiras - CORRUPÇÃO

Ao abrir um periódico
Ou mesmo um simples jornal
Logo a primeira notícia
Já lhe fará passar mal
Pois a tal corrupção
Se tornou muito normal.

Eu não sei o que é que tem
Aqui em nossa nação
Já que o brasileiro sente
Uma coceira na mão
Mesmo que o seu salário
Seja um belo de um quinhão.

Podemos enumerar
E contar cada escândalo
De uma sociedade
Que de vândalo em vândalo
Fareja todo dinheiro
Como perfume de sândalo.

O que tem o brasileiro
Em toda sua mistura
Que a tal corrupção
Aqui encontrou estrutura
No governo federal
Ou mesmo na prefeitura?

Tem dinheiro na cueca
Também compra de mandatos
Rosiane e LBA
Tem corruptos novatos
Mensalão e Banestado
E nós que somos os patos.

Tem caso PC Farias
E os anões do orçamento
Privatização da Vale
Isso é um atrevimento
Cacciola e Chico Lopes
Álvaro Lins no momento.

O Habeas Corpus é um
Fator de oportunidade
Prendendo à noite o malandro
Mas com naturalidade
Soltam na manhã seguinte
Dizendo: _Fuja à vontade.

O sistema corrompido
Está entregue as baratas
Pois todo mundo é comprado
Até em cidades pacatas
Mas é o povo quem segura
A quentura das batatas.

Na escuta telefônica
O bandido sempre esbanja
Confiança no delito
Pois percebe que é uma canja
Ficar fora da parada
Colocando um laranja.

A polícia que é feita
Para o bandido prender
Também entra no esquema
Para não se arrepender
Sabendo que logo adiante
Todo mundo vai esquecer.

Um juiz prende daqui
Mas outro solta de lá
Entra desembargador
Dizendo: _Deixa pra lá
O melhor a se fazer
É ficar como está.

Nosso código penal
Devia se precaver
E quanto mais importante
E abrangente poder
Tiver o tal delinqüente
Mais tempo tem que prender.

Os superfaturamentos
E impostos sonegados
Não permitem investimentos
Se não forem arrecadados
Para a infra-estrutura
Onde seriam aplicados.

O que todos já sabemos
E não é nenhum mistério
É que a corrupção
Começa no Ministério
Passando por todo mundo
Chegando ao Marcos Valério.

A polícia federal
Agora dá espetáculo
Invadindo escritórios
Não encontrando obstáculo
Mas quase nunca encontra
O enigma do oráculo.

Esse cordel tem um preço
Mas vou falar na surdina
O editor vende caro
Pois é um pouco sovina
Mas aceito de bom grado
Uma pequena propina.

FIM
J. Victtor

Adicionar comentário 16 de Agosto de 2008 às 14:45 J. Victtor


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