Arquivo de Agosto de 2008
Macacos me mordam se
Alguém levantar o dedo
E disser: _Desse cachorro
Eu não tenho o menor medo.
Porque o tal do pitbull
É mesmo um cachorro azedo.
Essa raça é misturada
E feita em laboratório
Como a bomba de hidrogênio
Que ao cair num território
Leva você facilmente
Direto ao ambulatório.
Mesmo preso num canil
Seu olhar pode matar
Porque a concentração
Da sua raiva no ar
É destrutiva às moléculas
Que são para respirar.
O pitbull teve origem
Na distante Inglaterra
E aqui chegou nervoso
Como soldado na guerra
Mas ele late de lá
E daqui você é que berra.
O garotão marombado
Bem fortinho e musculoso
Vai passear com o cão
Achando-se tão gostoso
Mas o seu minúsculo cérebro
Não sabe que é perigoso.
Aquela arma ambulante
Amarrada na coleira
Desfila pela cidade
Sem a sua focinheira
Porque também o seu dono
Não tem nada na moleira.
As vezes até me confundo
Se o dono leva o cão
Ou se não é o contrário
Numa justa inversão
Se o cachorro é o dono
Arrastando o grandalhão.
A imprensa toda hora
Noticia uma desgraça
Em que um simples transeunte
Virou uma pobre caça
Vitimada mortalmente
Pela desgraçada raça.
Dizem que o melhor amigo
Do homem é o cachorro
Mas do pitbull já vi
Correrem e pedir socorro
Pular cerca e fugir
Como no filme do Zorro.
Uma lei foi editada
Para que o animal
Saia com sua mordaça
Após cruzar o quintal
E não atacar ninguém
Com sua mordida infernal.
Mas se acaso ele morder
O queixo tranca fechado
Parecendo guilhotina
Ou também um cadeado
Que nem a chave de fenda
Abre a boca do danado.
A sua forte mordida
Exerce a grande pressão
De mais de uma tonelada
Seja em qualquer região
Triturando nossos ossos
Como um pedaço de pão.
A sua segregação
Torna-se imprescindível
Porque o seu comportamento
Nem um pouco é compatível
Com a boa convivência
Sendo inadmissível.
Peço aqui minhas desculpas
Aos donos desses cãezinhos
Pois não foi minha intenção
Ofender os pobrezinhos
Porque o meu medo restringe
Aos seus mimosos focinhos.
E se fosse consentido
À nossa sociedade
Criar em casa um leão
Com toda ferocidade
Muitos donos iam dizer:
Ele é só amabilidade.
Por isso, meu caro pit
Seja bem inteligente
E faça ao dono entender
Que você é diferente
Já que ele não entende
A situação da gente.
FIM
31 de Agosto de 2008 às 19:40
J. Victtor
A Grécia, na antiguidade
Criou a democracia
Um pensamento avançado
De grande sabedoria
Que hoje está deturpada
Em sua filosofia.
O homem de vida pública
É o nosso representante
E este seu cargo exige
Honestidade e durante
O seu mandato ele tem
Uma missão importante.
Porém amigo, cuidado
Com político indecente
Escolha bem o seu voto
E seja muito prudente
Porque escolher errado
Prejudica muita gente.
Tenha certeza que o tal
Quando entra para o ofício
Não é para lhe ajudar
Nem lhe trazer benefício
Mas porque em oito anos
O salário é vitalício.
Quando a verba é destinada
A um pobre hospital
Aparece o cafajeste
Para praticar o mal
Desviando o dinheiro
De forma descomunal.
Hoje temos CPIs
Trafegando no Senado
Em grandioso teatro
Direto, tudo filmado
Mas não há nenhum inquérito
Que não seja arquivado.
Se gritar pega ladrão
Sai todo mundo correndo
Brasília fica deserta
E ninguém fica sabendo
Porque fugiram os ladrões
Que nela estavam vivendo.
Essa praga é pior
Que dengue, tifo e malária
Tuberculose e tumor,
E também gripe aviária
Decretando ao brasileiro
Dor de cabeça diária.
Quando precisam da gente
Nas praças, ruas e feiras
Abraçam-nos com carinho
Com promessas verdadeiras
Mas depois que são eleitos
Iniciam as roubalheiras.
De onde vem o dinheiro
Para tanta propaganda
Que deixa nossa cidade
Parecendo uma quitanda
Com sorrisos engessados
E apologia nefanda?
Juntos, marido e mulher
Em formação de quadrilha
Fraudam a nossa cidade
Para uma gorda partilha
Com Cardeal e Madame
E Príncipe na matilha.
A igreja Universal
Serve para arrebanhar
Os fiéis desavisados
Que indo para rezar
São convencidos por um
Desonesto maxilar.
Um pobre faminto rouba
Um pão e é logo julgado
Mas político ladrão
Não conhece cadeado
Pois a lei diz que ele tem
Foro privilegiado.
Também é repugnante
Seu Português incorreto
E a falta de carinho
Com o nosso alfabeto
Maltratado em demasia
Por um grande analfabeto.
E a praga, não contente
Espalha seus filhotinhos
Com os mesmos sobrenomes
Dos antigos ladrõezinhos
E hoje esta geração
Já chegou até os netinhos.
Afirmo que um por cento
São os que honram a bandeira
Pois o resto não se importa
Em se atolar na sujeira
Passando o atestado de
Pior praga brasileira.
Há ainda o infeliz
Que não sai de candidato
Já que os votos não o elegem
E ele não mais novato
Candidata-se toda vez
Com um novo aparato.
FIM
(J. Victtor)
29 de Agosto de 2008 às 11:20
J. Victtor
O telefone foi uma
Das maiores invenções
Criada por uma grande
Centelha e após gerações
É o enorme marco das
Telecomunicações.
Porém esta invenção
De enormes benefícios
Já trouxe aos seres humanos
Alguns cruéis sacrifícios
E cabendo ao telemarketing
Da culpa, fortes indícios.
É uma praga insistente
Que não se encontra vacina
Com técnica elaborada
Nos ramos medicina
Transformando nosso humor
Numa nitroglicerina.
Oferecendo vantagens
E os mais diversos produtos
Em conversa decorada
E pensamentos argutos
Da nossa vida eles tomam
Inestimáveis minutos.
O camarada treinado
do outro lado do aparelho
vai criteriosamente
dando prudente conselho
mas sua finalidade
é te deixar no vermelho.
No seu telefone fixo
Ou mesmo no celular
Essa praga não dá tréguas
para a gente respirar
e também interrompe as horas
que são para namorar
O operador que liga
sabe seu nome completo
também sabe o endereço
de vantagens vem repleto
e diz: _Bom dia, senhor
o meu nome é Anacleto.
A partir deste momento
Você não tem mais descanso
O rapaz é bem treinado
E eu mesmo não alcanço
Onde sua língua encontra
Numa prosa tanto avanço.
Ao querer solucionar
Uma pendência ou problema
Você consulta a empresa
Vai contando o seu dilema
Mas somente ouvirá:
_O problema é do sistema.
Tente um dia cancelar
Os seus produtos comprados
Lhe dirão: _Por gentileza
Precisamos dos seus dados
Para sua segurança
Terão que ser anotados.
_Pode dizer por favor
CPF e identidade
E também o endereço
E qual é a sua cidade
Para o sistema poder
Confirmar a validade.
_Senhor, aguarde na linha
Pode esperar um momento.
A ligação então cai
Aumentando o sofrimento
Mas é só ligar de novo
Para o mesmo tratamento.
Eu não sei se o sistema
É o maior acionista
Mas tudo passa por ele
Que avalia na lista
Carimbando e devolvendo
Tudo à recepcionista.
Depois de três horas vem
O gerente do produto
Dizendo: _Caro senhor
Espere mais um minuto
Mas eu de tanto esperar
Deixei meus filhos de luto.
O telefone ao tocar
Me passa desconfiança
E atendendo com raiva
Me vem tudo na lembrança
Porque sendo telemarketing
Vou preparar a vingança.
Atendendo, imito gato
Mudo a voz e fico rouco
Depois mulher e galinha
E de tudo imito um pouco
Mas a verdade é que eles
Já me transformaram em louco.
FIM
(J. Victtor)
às 09:21
J. Victtor
Nosso Brasil apresenta
Com um toque de nobreza
A nova modalidade
Contra a pessoa indefesa
Perseguindo o cidadão
E cobrindo-o de incerteza.
Na minha infância não tinha
E nem nunca ouvi falar
Dessa tal bala perdida
Que não é para chupar
Já que vem desembalada
E pronta para matar.
É uma inimiga invisível
Que traça rasgando o céu
Disparada de um fuzil
Cuspida de um fogaréu
Que sentencia a todos
Como um carrasco cruel.
Você pode se esconder
Mas ela há de te achar
Na saída do Metrô
Ou na entrada de um bar
Viajando enganada
Para um errado lugar.
Enquanto fazemos compras
E as tarefas diárias
Elas cruzam os ambientes
Como cruéis mandatárias
Do atestado de óbito
Com suas mortes sumárias.
Os tiroteios freqüentes
Entre polícia e bandido
São a fonte costumeira
Da origem do perigo
Que velozmente aproxima
Nossa vida do perigo.
A violência de hoje
Que assola as cidades
Lança mais essa desgraça
E mais outras crueldades
Atingindo as duas classes
De ambas extremidades.
Na favela ou no asfalto
No Borel ou Ipanema
O brasileiro agora
Vive esse novo dilema
Que infelizmente é
Desse cordel o meu tema.
O contrabando de armas
Chega na mão da milícia
Também chega ao traficante
Que usa sua malícia
Tudo passando pertinho
Bem no nariz da polícia.
Existem várias famílias
Que perderam seus parentes
Atingidas pelas balas
Das formas mais diferentes
E outras que não morreram
Ficaram deficientes.
Hoje temos passeatas
Para conscientização
Dos perigos enfrentados
Por esta situação
Mas fico desconfiado
Que não adianta não.
Esta bala assassina
Não revela o autor
Pois é cega, surda e muda
Escondendo o malfeitor
Mas nunca vem da polícia
Somente traz o rumor.
Trouxeram os tempos modernos
Essa triste novidade
Que é a mistura de
Miséria com crueldade
E o esquecimento total
Do que é fraternidade.
A polícia sem preparo
Causa ao nosso cidadão
Uma mistura de medo
Com enorme aflição
Pois não sabe contornar
A mais fácil confusão.
A cada bala perdida
Que achar um infeliz
Ou mesmo num leve toque
De raspão ou por um triz
A culpa é do governo
Porque ele é a matriz.
Os filmes de faroeste
São nossa vida real
E nós somos os artistas
Que na conduta leal
Achamos sempre no fim
Uma bala desleal.
FIM
(J. Victtor)
28 de Agosto de 2008 às 19:47
J. Victtor
“Cidade Maravilhosa”
Diz a música bonita
E realmente ela é
De beleza infinita
Mas essa poluição
É uma coisa que irrita.
O que é bonito de longe
De perto é poluído
E se não for a fumaça
É um estridente ruído
Ou uma vala escorrendo
Um esgoto diluído.
A nossa Baía de
Guanabara, aqui no Rio
Devia ser majestosa
Mas hoje dá calafrio
E também o seu futuro
É totalmente sombrio.
As cidades periféricas
Ali despejam dejetos
Sendo fácil de encontrar
Vários tipos de objetos
Porque nenhuma possui
Procedimentos corretos.
As nossas praias também
São triste cartão postal
E principalmente as
Que estão na capital
Deixam todos os banhistas
Com medo de passar mal.
Línguas negras aparecem
E mudam a tonalidade
Consumindo o litoral
Com muita voracidade
E espalhando doenças
Em tom de calamidade.
Nossas lagoas famosas
Ficam entre as montanhas
Mas são administradas
Por mentes muito tacanhas
Que as deixam poluídas
Consumindo suas entranhas.
Tem mortandade de peixes
Espalhando na cidade
Um odor repugnante
Em boa velocidade
E invadindo nossas casas
O que não é novidade.
O emissário submarino
Toda hora leva a culpa
Mas falta é consciência
E uma pesada multa
Porque à nossa inteligência
Esta burrice insulta.
Se as praias são bonitas
E o país é tropical
Com elegantes mulheres
Num biquíni sem igual
Por que a poluição
Por aqui é tão normal?
Isso muito compromete
E nos tira o otimismo
Pois ao fechar o balanço
No final do algarismo
Sabemos que pouco rendeu
O dinheiro do turismo.
Uma autoridade diz
Que a culpa é de fulano
Vem a outra revoltada
Diz que não, é do beltrano
Mas esta situação
Só piora a cada ano.
Já vieram japoneses
Com a tecnologia
Para assim despoluir
A nossa grande baía
Mas tudo atravancou
Na grande burocracia.
O pescador também sai
Deveras contrariado
Porque hoje não tem peixe
Como tinha no passado
E somente os peixinhos
Chegam ao supermercado.
Nos rios temos um grande
Despejo de poluentes
Já poluindo os mesmos
Bem pertinho das nascentes
E espalhando o resto
Nos principais afluentes.
O Brasil não valoriza
As riquezas naturais
Nem muito menos protege
Seus ricos mananciais
Que são os mais abundantes
Das terras ocidentais.
FIM
J. Victtor
26 de Agosto de 2008 às 18:48
J. Victtor
Eu deliciosamente
Escrevo o meu cordel
Percorrendo a caneta
Que desfruta do papel
Uma relação de amor
Mais doce do que o mel.
Porém o assunto é amargo
E tristemente confesso
Que me dói ter que escrever
Sobre a falta de progresso
Porque na fome está
Um infeliz retrocesso.
A fome é responsável
Pela nossa involução
Também envergonha muito
A toda nossa nação
Estando de norte a sul
Em cada palmo de chão.
Ela é inadmissível
Aqui em nosso celeiro
Aonde não falta espaço
Para qualquer brasileiro
Fazer uma plantação
Ou criar um galinheiro.
Ela percorre o país
Principalmente o nordeste
E faz a volta infeliz
Abraçando o oeste
E vorazmente descendo
Vem visitar o sudeste.
Das pragas é a pior
Não queira sentir a fome
Porque a nossa energia
Aos poucos ela consome
E também o nosso espírito
Com muito prazer carcome.
Que nosso Deus protetor
Não deixe faltar o almoço
Porque a fome nos joga
Direto ao fundo do poço
Transformando o elemento
Somente em pele e osso.
Mas existe uma camada
Social que é insensível
Não conhecendo a palavra
Que se chama “divisível”
Ignorando a fome
De forma indiscutível.
Nossa divisão de renda
Aqui é bem desigual
Pois na base da pirâmide
O pecado é capital
Os de cima comem muito
Os de baixo comem mal.
Comer vem antes de tudo
De hospital ou escola
E este problema existe
Desde o negro quilombola
Que faminto aqui chegou
Diretamente de Angola.
Este social problema
Tem que ter prioridade
Em nossos investimentos
Mas não como caridade
Mas como iniciativa
De qualquer autoridade.
Precisamos ter um plano
Que não seja paternal
Mas que dê a condição
Com abrangência geral
Retirando do elemento
O cunho de desigual.
Temos água à vontade
Clima quente e temperado
Um enorme eco sistema
Que se for bem estudado
Não terá um brasileiro
A ficar subestimado.
Estudos de hoje em dia
Com as sobras de comida
Chegaram à conclusão
Que pode ser fornecida
A boa alimentação
Para sustentar a vida.
As cascas dos alimentos
E o que é jogado fora
Poderão alimentar
Os meninos de agora
Que espalhados estão
Por este Brasil afora.
Por isso boa vontade
Torna-se imprescindível
Para que a alimentação
De modo indiscutível
Esteja erradicada
De maneira infalível.
FIM
(J. Victtor)
às 10:10
J. Victtor
_Duas pilha um Real
Três caneta por cinqüenta
Centavos. Olha o CD
Senhora, fique atenta
Porque o seu pó compacto
Não chega nem a noventa!
Desça do seu escritório
E passeie na cidade
Que você encontrará
Terrível calamidade
Sendo esta uma cruel
E dura realidade.
Talvez você não consiga
Passear pela calçada
Porque sua obstrução
Estará bem reforçada
Com mais de mil camelôs
De uma forma escancarada.
Parecendo feira livre
Ao longo das avenidas
As pessoas que passarem
Precisam estar prevenidas
Pois aquela confusão
Tem coisas desconhecidas.
O falatório é grande
Sem nenhuma educação
Gritando no nosso ouvido
Com enorme vozeirão
Tomando conta da rua
Sem mera preocupação.
E a guarda municipal
Fica num papo furado
Um olhando para o outro
Arrumando o penteado
Só faltando a cervejinha
E um tira-gosto picado.
E essas mercadorias
São quase todas roubadas
Nas estradas e depósitos
Ou então falsificadas
Ou vindas do Paraguai
Como contrabandeadas.
As cidades têm prefeitos
Que preferem a omissão
E nem um pouco se importam
Com o correto cidadão
Convivendo com a nefasta
E pobre organização.
Quando tomam providência
É de forma exagerada
Tem corre-corre nas ruas
Tem tiro e também porrada
Mostrando a incompetência
De atitude impensada.
A Polícia Militar
Diz que não pode prender
Porque não é responsável
Podendo assim responder
Por uma ação indevida
Ou abuso de poder.
O jogo de empurra-empurra
Chega ao governador
Que joga para o prefeito
Que diz ao vereador:
_Segure essa, amigo
e pague aquele favor.
Ninguém toma providência
Mas a vida continua
E a baderna vai seguindo
Espalhando-se pela rua
Fingindo que não existe
Uma bela falcatrua.
Ainda diz a bandeira
Aqui tem Ordem e Progresso
Mas o que eu vejo latente
É um poderoso regresso
Não condizendo com aquilo
Que na bandeira é impresso.
Aqui no nosso Brasil
Existe um grande problema
Que é uma teia de aranha
Armada num bom esquema
Que parece mais o canto
Azarado de uma ema.
E no entanto, leitor
Não podemos colocar
A culpa no camelô
Que precisa trabalhar
Porque ele nunca teve
Condição de estudar.
Por isso faço um apelo
Ao governo do Brasil
Não tornemos o país
Um território hostil
Porque não quero rimar
O território e o mar
Com a ponte que caiu.
FIM
(J. Victtor)
22 de Agosto de 2008 às 10:49
J. Victtor
O nosso grande problema
Está no analfabetismo
Porque sabendo escrever
Só o nome de batismo
É o mesmo que estar
A beira de um abismo.
Fornece o analfabetismo
O alimento propício
Para a ignorância
Que nele vê bom ofício
Alastrando-se na mente
E causando malefício.
O ser humano só usa
Um pouco da sua mente
Mas nenhum analfabeto
Está tampouco ciente
Que menos ainda usa
Ficando quase demente.
Aqui no Brasil, milhões
Não sabem escrever o nome
Não sabem o que é gramática
Muito menos o que é pronome
Porque antes eles cuidam
De matar a própria fome.
Quem gosta de analfabeto
É político indecente
Que procura os redutos
Onde está o homem carente
Espalhando seu veneno
Por todo aquele ambiente.
O Brasil não desenvolve
Todo seu potencial
Exatamente porque
O molde educacional
Não qualifica direito
No ramo profissional.
As escolas do Brasil
São de fato imorais
Sujas e fedorentas
Nos centros municipais
E quase todas as outras
Nos aspectos gerais.
A economia informal
Tem raiz nessa carência
E o país não arrecada
Por fruto da displicência
Pois não investe em escolas
Com a devida eficiência.
Quando vêm as olimpíadas
Sinto-me envergonhado
Porque paises menores
Com pequeno povoado
Ganham mais que o Brasil
Que não traz nenhum agrado.
Não ter oportunidade
De ser alfabetizado
É olhar para um livro
E vê-lo esbranquiçado
Sem motivo de existência
E um autor ignorado.
É não saber que a História
Foi toda ela narrada
Há dez mil anos atrás
E pela escrita contada
Portanto foi a escrita
A principal alvorada.
A fome é a grande aliada
Da completa ignorância
Já que o estômago vazio
Desde uma terna infância
Mantém todo o aprendizado
Seguro em boa distância.
Também os sais minerais
E as outras vitaminas
Tornam-se essenciais
Nos meninos e meninas
Que terão bom rendimento
Em todas as disciplinas.
Os baixos salários dos
Miseráveis professores
Que dedicam sua vida
A formar novos doutores
São inexplicavelmente
Aquém dos vereadores.
O país também abusa
Inventando feriado
Parecendo que está
Muito industrializado
E dificultando assim
Um completo aprendizado.
O cidadão pensador
Já tem mais questionamento
Incomodando o poder
Com embasado argumento
Levando organização
Onde for o movimento.
FIM
(J. Victtor)
20 de Agosto de 2008 às 18:35
J. Victtor
Ao abrir um periódico
Ou mesmo um simples jornal
Logo a primeira notícia
Já lhe fará passar mal
Pois a tal corrupção
Se tornou muito normal.
Eu não sei o que é que tem
Aqui em nossa nação
Já que o brasileiro sente
Uma coceira na mão
Mesmo que o seu salário
Seja um belo de um quinhão.
Podemos enumerar
E contar cada escândalo
De uma sociedade
Que de vândalo em vândalo
Fareja todo dinheiro
Como perfume de sândalo.
O que tem o brasileiro
Em toda sua mistura
Que a tal corrupção
Aqui encontrou estrutura
No governo federal
Ou mesmo na prefeitura?
Tem dinheiro na cueca
Também compra de mandatos
Rosiane e LBA
Tem corruptos novatos
Mensalão e Banestado
E nós que somos os patos.
Tem caso PC Farias
E os anões do orçamento
Privatização da Vale
Isso é um atrevimento
Cacciola e Chico Lopes
Álvaro Lins no momento.
O Habeas Corpus é um
Fator de oportunidade
Prendendo à noite o malandro
Mas com naturalidade
Soltam na manhã seguinte
Dizendo: _Fuja à vontade.
O sistema corrompido
Está entregue as baratas
Pois todo mundo é comprado
Até em cidades pacatas
Mas é o povo quem segura
A quentura das batatas.
Na escuta telefônica
O bandido sempre esbanja
Confiança no delito
Pois percebe que é uma canja
Ficar fora da parada
Colocando um laranja.
A polícia que é feita
Para o bandido prender
Também entra no esquema
Para não se arrepender
Sabendo que logo adiante
Todo mundo vai esquecer.
Um juiz prende daqui
Mas outro solta de lá
Entra desembargador
Dizendo: _Deixa pra lá
O melhor a se fazer
É ficar como está.
Nosso código penal
Devia se precaver
E quanto mais importante
E abrangente poder
Tiver o tal delinqüente
Mais tempo tem que prender.
Os superfaturamentos
E impostos sonegados
Não permitem investimentos
Se não forem arrecadados
Para a infra-estrutura
Onde seriam aplicados.
O que todos já sabemos
E não é nenhum mistério
É que a corrupção
Começa no Ministério
Passando por todo mundo
Chegando ao Marcos Valério.
A polícia federal
Agora dá espetáculo
Invadindo escritórios
Não encontrando obstáculo
Mas quase nunca encontra
O enigma do oráculo.
Esse cordel tem um preço
Mas vou falar na surdina
O editor vende caro
Pois é um pouco sovina
Mas aceito de bom grado
Uma pequena propina.
FIM
J. Victtor
16 de Agosto de 2008 às 14:45
J. Victtor
O amigo aí sentado
Apreciando o cordel
No apartamento próprio
Ou mesmo de aluguel
Tem noção que o nosso lar
É um delicioso hotel.
Porém, saia do sofá
E abra sua janela
Provavelmente você
Verá logo uma favela
Onde o perigo é um
Morador de sentinela.
As casas amontoadas
Sem pintura ou proteção
Bem na ponta dos barrancos
Sujeitas a escorregão
São lugares de pessoas
Sem direito à ambição.
O ser humano não foi
Criado para morar
De tão decadente jeito
Num inóspito lugar
Que não tenha outro jeito
De assim os acomodar.
O esgoto a céu aberto
Tangendo aquelas taperas
Escondendo traficantes
Com suas feições austeras
São produto interno bruto
De gravidades severas.
As vielas sinuosas
Com lama e matagal
Não tornam o ambiente
Nem um pouco cordial
Inacreditavelmente
No seio da capital.
As leis que regem a cidade
Lá não encontram valor
Porque são os traficantes
Juiz, polícia e doutor
E também admirados
Por cada um morador.
O crescimento abusivo
E muito desordenado
Cresce igual uma doença
Em estado avançado
Num corpo já combalido
E à morte condenado.
As autoridades tentam
Dar um charme a essa doença
Porque a favela dá
Oportunidade imensa
De um bom eleitorado
Numa grande recompensa.
Os políticos aproveitam
Prometendo dar emprego
Seduzindo os favelados
Com ardiloso apego
Mas sugando-lhes o sangue
Assemelham-se ao morcego.
Por esta e outras razões
Basta um terreno baldio
Para em pouquíssimo tempo
Uma favela no Rio
Tomar forma e crescer
No que antes era vazio.
Algumas viraram bairro
Como a famosa Rocinha
Pela sua envergadura
E sua dorsal espinha
Que de tão grande ela quase
Toca a favela vizinha.
Os políticos também
Chamam de comunidade
Pois assim eles conseguem
Disfarçar a crueldade
Que vivem os favelados
À margem de uma cidade.
E o motivo pelo qual
Ninguém toma providência
Já se tornou um exemplo
Da mais cruel indecência
Pois favela nunca vai
Ser lugar de referência.
As favelas são resquícios
De uma longa escravidão
Pois lá são onde os negros
Depois da abolição
Fugiram para morar
E acalmar o coração.
Aposto que o criador
Do nosso grande universo
Quando vê uma favela
Pensa: _Como fui perverso
Deixando acontecer
O que era pra ser o inverso?
15 de Agosto de 2008 às 13:59
J. Victtor
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