A rima
A rima na literatura de cordel é o tema que mais dá o que falar. Vamos então tirar algumas dúvidas. Muitos acham que não se deve rimar cabedais com ancestrais, porque um acaba com “dais” o outro com “trais”. É claro que se o cordelista conseguir rimar “trais” com “trais” é melhor, mas nem sempre é possível e muitas vezes compromete uma boa estrofe. Na verdade o que manda é o “ais” e o que está anteriormente pouco importa. Assim como o “ão” – balão, mansão, pezão, mão. Urgência rima com demência, porque o que vale é o “ência”. Com “ento” podemos ter “estacionamento”, “engarrafamento” e, “cinzento”. O “z” do cinzento pouco vale.
Exemplos:
Queres saber tua sorte
para tua proteção?
Estuda o livro de sonho
e preste muita atenção
aprenda ler tua sina
nas linhas da tua mão.
(Leandro Gomes de Barros)
Leandro rimou “proteção” com “mão”.
Esse senhor de quem falo
chamava-se Benvenuto
botava ódio a quem fosse
ladrão, traiçoeiro e bruto
conservava no seu peito
um coração impoluto.
(Patativa do Assaré)
Veja acima o exemplo do Patativa, que rimou “Benvenuto” com “bruto”. O que importou para ele foi a terminação “uto”.
O cordelista ainda pode pensar muito antes de fazer sua rima, mas o repentista não tem esse luxo, tem que ser na hora, então ele faz pela terminação que falei anteriormente.
Adicionar comentário 10 de Julho de 2008 às 17:21 J. Victtor